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14 de dezembro de 2008

O que é Jornalismo?


O jornalismo é um conjunto de técnicas, saberes e ética que envolve a captação, produção, edição e divulgação de informações (LAGE). Trata-se, portanto, de uma atividade inserida em um contexto social, político e econômico. É a ação produzida pelo profissional denominado jornalista cuja função é produzir um bem simbólico e informativo que poderá ser veiculado tanto pelos mass medias quanto pelos veículos alternativos de menor circulação ou de formatos diferenciados (jornal mural, blog, informativos curtos, panfletos, etc).
Dentro desta ótica, é possível, de antemão, separar a técnica da ciência. O jornalismo se caracteriza como instrumento para isolar um fato social, produzir a notícia e divulgá-la para a sociedade. Dentro deste marco teórico, ele não se caracteriza como ciência, apesar de despertar possibilidades científicas de interpretação do jornalismo como atividade humana, sendo passível de um acompanhamento analítico sob a ótica das ciências sociais.
Daí a existência das teorias do jornalismo e da comunicação, que tentam entender esta ação do homem realizada em sociedade. Ainda dentro deste contexto de especulação teórica, o jornalismo se insere no campo do que se denomina modernamente de ciências sociais aplicadas - figura ao lado do Direito, Economia, Administração de Empresas, dentre outros.
Como campo de saber, portanto, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) consideram a comunicação e o jornalismo como uma ciência social aplicada em sociedade, se diferindo das ciências sociais puras, caso da sociologia. Porém, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) tendem interpretar o jornalismo mais como uma atividade profissional do que como atividade científica.

Principais episódios da Teoria da Comunicação. Parte I


Em que ponto central a Teoria Crítica se aproxima da Teoria Hipodérmica?


O ponto central em que uma teoria se aproxima da outra é o conceito de 'massas', adotados por ambas correntes do pensamento. Tanto uma como a outra partem dos princípios utilizados para descrever as audiências como indivíduos atomizados, que integram uma sociedade de massas. O pensamento político do século XIX, afirma Mauro Wolf, é um dos primeiros a abordar o conceito de massas. Apesar da Teoria Crítica não ter adotado um modelo de comunicação, o modelo da teoria hipodérmica (E=R - Estímulo-Resposta) pode ser adaptado aos primórdios do pensamento da Escola de Frankfurt. Tanto a primeira teoria quanto a segunda, optam por não estudar a recepção, apenas realizando previsões de como seriam os efeitos da mídia. Do ponto de vista ideológico, as duas teorias são opostas: a Bullet Theory deseja fornecer um 'modelo' para controlar as massas e ensinar administrativamente como conquistar as massas; a Teoria Crítica quer 'abrir o olho' da massa, ensinar que ela será seduzida pela indústria cultural, manipulada e alienada pelas classes dominantes.
Resumindo: as duas teorias afirmam que o processo de comunicação são assimétricos, com emissor ativo e receptor que será 'atingido' pela informação. A comunicação é feita para obter um efeito determinável e mensurável.


Obs.: As respostas são corrigidas por professores dessa área.


Larissa Araújo.®

30 de junho de 2008

Adorno e seu pensamento aplicado nas teorias da comunicação

Contribuição: Welliton Carlos da Silva, Jornalista, Advogado e mestre em Comunicação, a quem agradeço o envio do material.


PROGRAMA DE MESTRADO DA FACULDADE DE COMUNICAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS AULA DA DISCIPLINA TEORIA DA COMUNICAÇÃO
Roteiro-trabalho para cumprir requisitos da disciplina Teorias da Comunicação, ministrada pela professora-doutora Ana Carolina Rocha Pessoa Temer

. Introdução
Este artigo-roteiro visa apresentar resumo biográfico, comentário da principal obra (Dialética do Esclarecimento) e conceitos fundamentais do filósofo alemão Theodor Adorno para o estudo da disciplina Teorias da Comunicação lecionada no Mestrado de Comunicação na Universidade Federal de Goiás (UFG). Con­tribuições de Adorno como definição de indústria cultural, desmitificação do termo cultura de massas e a abordagem da teoria estética foram fundamentais para o avanço no estudo da comunicação e arte – em especial da música contemporânea. Trata-se de autor híbrido, com interesses em sociologia e música, que apresentou acentuada importância para a filosofia crítica interessada em questionar o pensamento de Emmanuel Kant e sua meditação sobre o esclarecimento advindo do iluminismo, movimento filosófico do século XVIII.
De início, na virada dos anos 30 para 40 do século passado, as reflexões sociológicas de Adorno não provocaram impacto no mundo científico empírico, mas ocorreu o inverso entre os estudiosos da comunicação. Este segmento de estudos ao ser compilado como ramo único de saber encontrou nas definições de Theodor Adorno – e seu amigo de pesquisa Max Horkheimer – um importante tópico de investigação. Adorno jamais se propôs a realizar uma teoria da comunicação, mas foi adotado por este segmento devido seu esclarecedor ponto de vista.
Talvez este próprio apontamento já tivesse aborrecido o intelectual, que não desejava fazer ciência instrumental exclusiva para entender mecanismos isolados da atividade humana. Pela linha ética estabelecida ao longo de suas obras, e pela rejeição da parceria tentada por Paul Lazarsfeld, percebe-se que Adorno jamais utilizaria sua teoria como instrumento para entender o 'funcionamento' dos meios de comunicação.
Na verdade, o teórico alemão se revelou impetuoso desde o início dos seus trabalhos na Escola de Frankfurt, tentando algo mais profundo e amplo. O desejo do grupo integrado por Lowenthal, Horkheimer, Marcuse, Benjamin, dentre outros, era abordar as relações da cultura, da indústria e do Estado com a construção da liberdade e da justiça.[1]



2. Biografia

Rolf Wiggershaus afirma que pouquíssimos filósofos da história européia tiveram o conceito de sua obra teórica marcada pelo horror quanto Adorno. O principal expoente da teoria da Indústria Cultural é originário da classe média alemã, tendo nascido em Frankfurt como Theodor Wiesengrund Adorno no dia 11 de setembro de 1903. É um dos nomes mais conhecidos da Escola de Frankfurt, apesar de ter origem intelectual diversa dos demais integrantes do Institut fuer Sozialforschung, conforme explicita Phil Slater.
Na verdade, Theodor Adorno se enquadra na linha dos filósofos músicos – a mesma integrada por Nietzsche e Hans Cornelius. Daí seu currículo ser considerado à parte de outros integrantes do grupo que surgiu para estudar a nascente classe operária européia do começo do século XX. O horror enfrentado por Adorno e descrito por Wiggershaus em sua biografia a respeito da escola alemã refere-se ao holocausto advindo do nazismo. A supressão de direitos e a imposição da superioridade ariana resultaram no suicídio de seu amigo Walter Benjamin, na dissolução do centro de pesquisas de Frankfurt e na mudança do autor e músico para os Estados Unidos da América (MERQUIOR, 1969).
Antes do horror, Adorno desenvolveu sua habilidade musical em um lar adequado para a valorização da arte e da cultura de vanguarda. O pai Oskar Wiesengrund foi comerciante atacadista de vinhos e a mãe Maria Adorno figurou constantemente nos recitais da cidade como contralto profissional (WIGGERSHAUS, 1994). O estudante de piano e defensor do atonalismo costumava dizer que abraçou a filosofia e a música ao mesmo tempo. "Em vez de me decidir por uma, sempre tive a impressão de que perseguia a mesma coisa em ambas"(ADORNO, 1998).
Em meados da década de 20, o futuro filósofo da Escola de Frankfurt se mudou para Viena com intuito de aprofundar seus estudos de música ao lado dos integrantes do círculo vanguardista de Schoenberg – mentor principal do ainda hoje pouco assimilado dodecafonismo e cromatismo radical (HORTA, 1980). Os estudos e pesquisas com Alban Berg voltaram-se para piano e composição erudita contemporânea. Não bastasse a aproximação com Berg e Schoenberg - sendo este último teórico do atonalismo e Berg seu discípulo -, ainda teve aulas com músicos como Rudolf Kolisch e Webern. Em síntese, apesar do segundo plano que caracteriza sua participação, Adorno esteve envolto em grupos de música moderna que operavam a revolucionária arte do começo do século.
A passagem da música para a filosofia ocorre gradativamente, sendo que desde os 14 anos ele já desenvolvia leituras das principais obras de Kant. O amigo Siegfried Kracauer marca sua adolescência e amadurecimento intelectual, pois será o introdutor de Adorno no pensamento dos grandes autores alemães. Geralmente, os debates sobre a Crítica da Razão Pura, obra máxima de Kant, e Filosofia do Direito, de Hegel, ocorreram nas manhãs de sábado ( JAY, 1988).
O desencanto com a música acontece na medida em que passa a ser mais um comentarista da vida musical da Alemanha do que compositor respeitado no circulo cultural integrado pelos grandes revolucionários. A obra coletada Críticas das óperas e concertos de Frankfurt reúne textos da primeira fase intelectual do defensor de uma música cada vez mais radical e elitista. É deste período, fim da década de 20, a preocupação com a consciência estética – um dos primeiros temas recorrentes na obra do pensador alemão.
Em 1924, Theodor Adorno defendeu a tese de doutorado "A transcendência do objeto e do noemático na fenomenologia de Husserl". Era a indicação oficial de que deixaria a música para buscar espaço na constelação de novos pensadores alemães. Começava aqui, com o doutorado aos 21 anos, portanto, a segunda fase adorniana, inspirada na exposição do estético. Logo em seguida ele passaria a tratar especificamente da teoria crítica, tendo como resquícios sua experiência na interpretação da música de concerto (BUCK-MORSS, 1981).
Na virada de década de 20 para 30, Theodor Adorno tenta se tornar docente da Universidade de Frankfurt, mas tem sua proposta reprovada por Hans Cornelius e Max Horkheimer. Neste momento de sua vida, ocorre o encontro com Walter Benjamin, que passa a influenciar Adorno a partir das idéias centrais do texto A origem do drama barroco alemão e As afinidades eletivas de Goethe. Mais do que nunca, a defesa teleológica do estético e a consciência de uma obra única e honesta ocorre por intermédio de seu conhecimento musical – que, na década seguinte, será suporte também para a consolidação de uma outra teoria, ainda mais sólida do que a teoria crítica: a teoria estética. Durante a Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler obriga o fechamento de diversos centros intelectuais na Alemanha, incluindo a escola de arquitetura e design Bauhaus e a Escola de Frankfurt. Ao lado de Max Horkheimer, após a saída forçada do país, Adorno leva os fundamentos do instituto para os Estados Unidos, país em franca ascensão dos estudos de comunicação de massa sustentados pela visão positivista ou funcionalista de autores como Lazarsfeld, Berelson, Lippmann e Lasswell.
De acordo com Bárbara Freitag, inspirado negativamente pelo modelo da cultura americana, Adorno publica Dialética do Esclarecimento (1947). A padronização, a imposição de modelos e a mercantilização dos bens culturais será a experiência prática para a elaboração da teoria crítica de Adorno e Horkheimer. O livro é considerado sua principal obra em termos de popularidade, pois traz em um dos capítulos a definição de 'indústria cultural' – recorrente tema a ser explorado pelos estudiosos de seu legado filosófico.


3. Theodor Adorno e Escola de Frankfurt

Barbara Freitag inicia sua avaliação histórica a respeito da teoria crítica a partir da origem do nome 'Escola de Frankfurt'. De acordo com a pesquisadora, o termo refere-se simultaneamente a um grupo de intelectuais e a uma teoria social advinda dos estudos do marxismo não-ortodoxo. A denominação surge após os integrantes deste grupo já terem realizado seus trabalhos mais significativos, dando apenas certa unidade geográfica aos pensadores.
A estrutura da escola nasce após a realização de ciclo de estudos marxistas na Turingia, em 1922. Trata-se de entidade privada, formada a partir de denominação inspirada pelo conceito de associação do BGB, o Código Civil Alemão, tendo como característica o não financiamento público. Oficialmente a Escola chama-se Instituto de Pesquisas Sociais (Institut fuer Sozialforschung).
Com a instalação de prédio próprio, e a realização de parcerias com a Universidade de Frankfurt, o grupo teve repercussão intelectual em toda Alemanha e, posteriormente, nos Estados Unidos. Nos primeiros anos, a escola alemã produz revistas de ensaios e realiza seminários (SLATER, 1978). Um estudo celebre de Walter Benjamin sobre a obra de arte na era da reprodutibilidade técnica é publicado na revista do instituto[2].
Adorno chega ao Institut fuer Sozialforschung por meio de Max Horkheimeir, seu futuro parceiro nas obras mais populares do grupo. Horkheimer é o intelectual que vai colocar em prática os desejos de Felix Weil, filho de um capitalista que produzia trigo na Argentina e fornecia verbas para a manutenção da Escola de Frankfurt. Articulado com os demais intelectuais para combater o anti-semitismo, Horkheimer lidera o instituto quando o governo alemão decreta o fechamento em 1933. A Escola de Frankfurt segue, então, para a Suíça e depois Estados Unidos. Segundo Freitag, no primeiro país, arregimenta novos filiados – caso de Eric Fromm e Neumann:
No período de imigração o Instituto concede mais de cinqüenta bolsas de estudo e de pesquisa a intelectuais e judeus perseguidos pelo nazismo na Europa. Entre eles, se encontravam W. Benjamin, que entre 1933 e 1938 viveu em Paris, e Ernest Bloch, que ao contrário de Benjamin consegue emigrar em tempo para os Estados Unidos. (FREITAG, 1986, p.16)

A principal contribuição de Adorno para a escola alemã refere-se à proposição de três linhas de pesquisa dentro de uma nova análise da sociedade. Ao lado de Horkheimer, ele vai tratar da dialética da razão (principalmente a kantiana advinda do iluminismo) e realizar a crítica da ciência. Em um segundo momento, após a passagem pela Califórnia (EUA), trata da dupla face da cultura e a discussão em torno da indústria cultural – que, após a apresentação da dialética negativa, vai se transformar em teoria estética. Por fim, menos intenso do que Jurgen Habermas, afeito ao debate das esferas públicas, direito e democracia, a Escola de Frankfurt vai falar da questão do Estado e sua legitimação (SLOTERDIJK, 1983).

4. Principais conceitos em Theodor Adorno

Theodor Adorno integra o principal núcleo de discussão do iluminismo ou esclarecimento a partir da reflexão marxista não-ortodoxa – diga-se, desta forma, marxismo acadêmico. O termo em alemão é vertido para Aufklaerung. Daí o título do livro central na obra de Horkheimer e Adorno: Dialética do Esclarecimento. O 'esclarecimento' é uma preocupação aprimorada em Kant e toca a Escola de Frankfurt por conta da não realização do futuro esperado pelo filósofo e autor de Crítica da Razão Pura.
Segundo Kant, os homens deveriam fazer uso da razão para tomarem conta do próprio destino. O conceito de esclarecimento utilizado por Adorno não significava o processo emancipatório que conduziria o ser humano à autonomia e determinação, daí a inclusão do termo 'dialética' como contradição. De acordo com Kant, como seres humanos, portanto, abandonaríamos a menoridade e chegaríamos a muendigkeit (maioridade) a partir de alguns pressupostos. Adorno e Horkheimer vão mostrar que esta realidade não se concretizará.
Adorno situa as pretensões kantianas já nas primeiras linhas de Dialética do Esclarecimento: "O programa do iluminismo consistia no desencantamento do mundo. Eles queriam dissolver os mitos e fortalecer as impressões através do saber" (ADORNO e HORKHEIMER, 1947). Os frankfurtianos, de antemão, não demonstravam ter mais crença de que o homem passaria a uma nova etapa da humanidade pelo simples caminho da razão. Phil Slater, que não deixa de externar críticas contra a presunção de Adorno e Horkheimer, aponta que os dois passam a questionar essa possibilidade iluminista a partir do saber e da tomada de consciência do conhecimento científico. Para eles, o saber produzido pelo iluminismo não conduzia o ser humano a qualquer forma de emancipação. Ao contrário: a razão técnica advinda do século das luzes, das conquistas tecnológicas e civis e a ciência moderna desencadeada no começo do século XX seriam um meio caminho para a relação ditatorial e autoritária, cujo melhor exemplo seria o nazismo.
Dialética do Esclarecimento serve, então, para que Adorno e Horkheimer demonstrem, por meio da leitura crítica do marxismo não-ortodoxo, como a razão iluminista se descola e se autonomiza e, como assinala Bárbara Freitag, acaba se voltando contra suas tendências emancipatórias. Para combater estas razões instrumentais, movidas pelo capital, surge, então, a razão crítica – a base de todo o pensamento advindo do instituto de Frankfurt.
Tanto Kant quanto Hegel definem a razão como sujeito abstrato da história individual e coletiva que pode tirar os homens da situação de alienação. Mas tanto Horkheimer quanto Adorno enxergam a razão como 'controle totalitário da natureza' e dominação incondicional do homem. A partir destes dois termos 'controle' e 'dominação' é que surge a definição da razão instrumental – que deve, portanto, ser combatida, repelida e expurgada. Essa rotação dialética da razão (de pura para técnica e de técnica para crítica) vai ser a pedra de toque e o estado de arte nas reflexões do grupo, que neste momento já não pretende pesquisar empiricamente o operariado alemão, mas demonstrar caminhos filosóficos e metafísicos para quebrar esse ciclo que aliena e desvia o desejo emancipatório e natural do homem. Dentro desta ansiedade intelectual, surge a definição da indústria cultural e cultura de massas – que não seria a cultura realizada pelas massas como povo ou população. Tal cultura não denota a cultura popular, feita nas ruas pelos próprios manifestantes, mas a 'cultura' produzida pela indústria para atingir as massas, para vender e empurrar produtos de cima para baixo. A cultura popular, bem diferente, é aquela que nasce dos anseios e desejos recônditos dos populares – são as atividades manifestadas nos encontros das comunidades e fruto da reflexão desinteressada dos protagonistas. A cultura de massas, por sua vez, visa atender um nicho de mercado. Ou seja: padroniza conceitos e comportamentos e os vende por determinado valor.
Logo, não seria 'cultura', mas produto que gera 'mais valia', objetos que suscitam lucros para aplicadores financeiros. Por trás dos artistas, evidentemente, estariam mercenários, vendedores e empulhadores da arte, cuja preocupação não seria repartir eticamente sensações e emoções, mas comercializar produtos banalizados e batizados de 'culturais'.

5. A indústria cultural

A indústria cultural se transformou em tema recorrente para estudos em música, cinema e meios de comunicação nos anos 50, 60, 70 e 80. Não perdurou, porém, como pensamento dominante. Para alguns teóricos dos anos 90, caso de John Thompson, nada do que foi escrito pelos teóricos de Frankfurt sobre 'indústria cultural' pode ser levado à sério:

Duvido que alguma coisa se possa ainda resgatar hoje dos escritos mais antigos dos teóricos da Escola de Frankfurt, como Horkheimer, Adorno e Marcuse: sua crítica do que eles chamavam de 'a indústria cultural' era muito negativa e se baseava em conceitos questionáveis sobre as sociedades modernas e suas tendências de desenvolvimento (THOMPSON, John, 1994, p. 41)

Adorno define a indústria cultural como a integração deliberada, a partir do alto, de seus consumidores. Do mesmo núcleo de pensamentos que motivou suas análises musicais do começo de carreira como resenhista de ópera e concerto, Adorno retira os elementos que definem a cultura como atividade humana libertadora – algo que não deve ter tocado ou sido levado a sério por um pensador do quilate de Thompson, infelizmente um insensível para a importância da cultura.
Para Adorno, a cultura transcende a autopreservação sistêmica da espécie, pois traz em seu suporte a dimensão crítica contra todas as instituições que existe (ADORNO e HORKHEIMER, 1947). A pergunta interior que o autor de Dialética do Esclarecimento vai fazer é a seguinte: o que ocorre quando a razão instrumental - da ciência e da tecnologia - se encontra com os capitalistas para produzir cultura e massificar a arte? Esse encontro terá como vértice o exemplo da indústria cultural, conforme as próprias palavras do pensador:

Ela força a união dos domínios, separados há milênios, da arte superior e da arte inferior. Com o prejuízo de ambos. A arte superior se vê frustrada de sua seriedade pela especulação sobre o efeito; a inferior perde, através de sua domesticação civilizadora, o elemento de natureza resistente e rude, que lhe era inerente enquanto o controle social não era total. (ADORNO e HORKHEIMER, 1947, p. 287).

Sem se concentrar em uma temática artística exclusiva, Adorno e Horkheimer realizam apontamentos bastante críticos e panfletários não comprovados empiricamente, daí serem chamados mais tarde de sociólogos amadores pelos críticos. Perdura, porém, a importante análise crítica filosófica, muito mais pertinente do que meras pesquisas quantitativas:
Ultrapassando de longe o teatro de ilusões, o filme não deixa mais à fantasia e ao pensamento dos espectadores nenhuma dimensão na qual estes possam, sem perder o fio, passear e divagar no quadro da obra filmica permanecendo, no entanto, livres do controle de seus dados exatos, e é assim precisamente que o filme adestra o espectador entregue a ele para se identificar imediatamente com a realidade. Atualmente, a atrofia da imaginação e da espontaneidade do consumidor cultural não precisa ser reduzida a mecanismos psicológicos. Os próprios produtos (...) paralisam essas capacidade em virtude de sua própria constituição objetiva (1947, p. 119).

De acordo com Bárbara Freitag, o conceito de indústria cultural proposto por Theodor Adorno e Max Horkheimer já faz parte do repertório temático da sociologia e comunicação. A definição surge antes mesmo da publicação de 'Dialética do Esclarecimento'. Grande parte dos estudiosos de comunicação acredita que o conceito nasce desta obra, o que multiplica o erro histórico. Na verdade, o ensaio de Horkheimer Arte e cultura de massa, de 1941, já traz o termo antecipadamente para tratar da atrofia da imaginação dos consumidores desta espécie de 'cultura'.
Theodoro Adorno, porém, será o autor a propagar com maior facilidade a discussão em torno deste tema. De fato, a Dialética do Esclarecimento é o livro que vai trazer à tona – com maior fôlego – o debate sobre o conceito. O ensaio Indústria Cultural oferece as bases para a definição do termo e demonstra através de uma linguagem mais ácida os males e conseqüências de uma sociedade regida pela música ligeira, cinema e demais ícones do mass media. Dentro desta definição frankfurtiana, a indústria cultural seria a forma sui generis pela qual a produção artística e cultural é organizada no contexto das relações capitalistas de produção, lançada no mercado e por este consumida (FREITAG, 1986).
No texto que aborda este assunto, Adorno e Horkhemier tratam da mediação e da inserção de pequenos exemplos retirados da relação prática entre mercado e cultura. Adorno explica que a produção cultural tem a função de ocupar o espaço de lazer do trabalhador assalariado. O único momento realmente destinado ao operário para fazer reflexões de sua condição humana acaba preenchido por mais um mecanismo de geração de capital e consumo. O lazer substitui o diálogo. O entretenimento produz o passatempo da alienação e o homem se perpetua em sua dramática ignorância. Segundo revelações realizadas pela viúva de Theodor Adorno a Habermas, o conteúdo do ensaio sobre indústria cultural deve ser dedicado quase que exclusivamente ao filósofo e músico. De fato, percebe-se tal influência da análise e citação de Beethoven à critica contra elementos da música popular. Segundo os autores, a indústria cultural produziria a regressão do sonhado esclarecimento para a ideologia, que encontra no cinema e no rádio sua expressão mais influente – talvez encontremos aqui, na crítica ao rádio, mais uma demonstração de que os dedos de Adorno teriam escrito as justificativas do termo proposto anteriormente por Max Horkheimer.
Para entender a construção e desenvolvimento do conceito de indústria cultural na obra de Adorno é necessário investigar a primeira grande preocupação teleológica da Escola de Frankfurt. Trata-se da questão do conceito de esclarecimento em Immanuel Kant e sua não realização, conforme a crítica posterior dos frankfurtianos.

5.1. Esclarecimento e iluminismo

Logo no prefácio de Dialética do Esclarecimento, Theodor Adorno e Max Horkheimer situam exatamente a inspiração para a confecção do ensaio. Eles se referiam a necessidade de tecer uma crítica a atuação humana frente ao mundo sistêmico do mercado e estado. (ADORNO e HORKHEIMER, 1947). "O que nós propuséramos era, de fato, nada menos do que descobrir por que a humanidade, em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano, está se afundando em uma nova barbárie". É evidente que Adorno critica o nazismo, um sistema que suprime liberdades e violenta o ser humano de forma mais brutal e direta do que as ações de império dos reis e monarcas.
O livro procura, então, demonstrar como fracassou a promessa de que o saber seria suficiente para retirar as pessoas da menoridade e alçar a maioridade. Kant acreditava que o homem ao dissolver os mitos e substituir a imaginação (sempre fértil em mitologias, crenças e valores infundados) pelo saber estaria se credenciando para atingir a evolução da humanidade. Sair da menoridade é poder decidir por conta própria o que e quando fazer determinada ação humana.
Tal esclarecimento, advindo do iluminismo, seria a chave para a liberdade. O artigo Was ist Aufklaerung?, de Kant, enxerga na razão um instrumento para libertação do homem. Através dela, a humanidade alcançaria sua autonomia e maioridade ou mundigkeit (KANT). Ele defendia que o homem deveria assumir com coragem e competência seu próprio e verdadeiro destino (FREITAG, 1986). Kant afirmava que o destino, sorte ou acaso devem ser suplantados pelo saber. Para atingir a mundigkeit era necessário reconhecer que os caminhos da vida não são ditados por forças externas – os mitos, deuses e leis da natureza, como trovões ou chuvas. Kant entendia a experiência como possibilidade de interpretação da realidade e adequação do sistema da vida. A obrigação moral e o ato cogente seriam necessários para que pudéssemos conquistar a razão.
Antes de questionar a razão kantiana, os teóricos de Frankfurt realizaram extenso debate a respeito da aufklaerung. A crítica da razão e o tema do esclarecimento passam a ser fundamental nos estudos do grupo de intelectuais alemães. De acordo com o primeiro capítulo de Dialética do Esclarecimento, o conhecimento produzido pelo iluminismo se revela ingênuo em seu ponto de partida. Ocorre que o domicílio da razão – técnica e ciência – tornou-se um espaço destinado à repressão. A razão instrumental passa a ser, portanto, uma arma para a dominação totalitária da natureza e do homem (SLATER, 1978). Não bastasse o uso da indústria da comunicação de massa, Hitler utiliza-se da medicina moderna e dos primeiros experimentos em genética para aprimorar 'espécies humanas' com cirurgias esdrúxulas. Neste mesmo pálio interesse ético e pervertido, desenvolve uma indústria da morte, que produz pessoas asfixiadas, corpos mutilados e crianças e idosos metralhados. As fábricas medonhas da maldade seriam a prova mais que suficiente do fracasso desta festejada emancipação iluminista.

5.2. Teoria crítica, indústria cultural e comunicação

Mauro Wolf aponta a teoria crítica proposta pelos intelectuais frankfurtianos como importante contribuição aos estudos de comunicação. Trata-se de complexa rede de pensamentos inspirados no marxismo voltado para a academia. "A identidade central da teoria crítica configura-se, de um lado, como construção analítica de fenômenos que ela indaga e, de outro, contemporaneamente, como capacidade de relatar tais fenômenos às forças sociais que os determinam" (WOLF, 2003).
O pesquisador das teorias de comunicação explica, portanto, que o ponto de partida da teoria crítica é a análise do sistema de trocas. Por isso a definição de indústria cultural é tão essencial para entender a reflexão crítica. Paradoxalmente, devido ao entendimento semelhante ao estrutural funcionalismo, Adorno e Horkheimer também enxergam a indústria cultural como um sistema. (ADORNO e HORKHEIMER, 1947).
Portanto, o mesmo léxico dos funcionalistas é utilizado pelos frankfurtianos, que encaram a organização capitalista sob o ponto de vista sistêmico. Dentro do sistema, partindo dos pressupostos da sociologia clássica, existe uma tentativa de auto-preservação e sobrevivência, o que se aplicaria à indústria cultural. "Hoje a racionalidade técnica é a racionalidade do próprio domínio" (Ibid).
Em um trecho da Indústria cultural, portanto, os teóricos críticos analisam o cinema e o cineasta de forma pejorativa. Uma das acusações dos dois teóricos alemães diz respeito ao ato de rejeição de qualquer "manuscrito que não revele em suas entrelinhas um best-seller animador".
A construção do texto de Adorno e Horkheimer é menos científico do que se supõe, pois apenas realiza uma inferência e constatação potencial sobre a indústria. Logo, deixa em aberto a não comprovação de suas acusações. Hoje, décadas depois, é possível constatar que quando Adorno se refere ao movimento musical de Beethoven desfigurado pela indústria, ele deveria realizar a demonstração deste evento. Talvez a partir da análise estrutural musical ou mesmo semiótica seria um caminho para aplicar melhor e comprovar sua hipótese – passível de comprovação.
A escrita de Adorno se parece muito com o texto jornalístico opinativo, pois atua como flash e recorte, não se aprofundando nos estudos de caso. Exatamente pelo caráter de ensaio, os dois autores perdem a oportunidade de desenhar uma crítica mais pontual dos meios de comunicação de massa – que seriam o veículo principal das transformações advindas da indústria cultural. "Divertir-se significa concordar", "O suposto conteúdo não passa de uma pálida fachada", "o que se imprime é a sucessão automática de operações reguladas" (ibid).
Tais proposições pagaram o preço da generalidade durante as últimas décadas, em que novos autores – oriundos, principalmente, das comunicações - aproximam as idéias de Adorno e Horkheimer ao velho sistema da Teoria Hipodérmica. Se Adorno equivoca-se ao não lançar mão de outros métodos para comprovar suas hipóteses, pior revelam-se seus críticos, incapazes de observar que Adorno e Horkheimer não teorizam, mas reproduzem um sistema de verdades óbvias e incontestáveis em sua generalidade.

6. Resumo bibliográfico

Theodor Adorno afirma que os dirigentes da economia e da sociedade podem corromper os ideais libertadores da época do Iluminismo para manipularem ideologicamente as pessoas e reprimi-las socialmente. Seria essa a causa, por exemplo, do extermínio dos judeus praticado pelos 'cientistas' do nazismo. Tais idéias perpassam várias obras dos autores alemães. Além de Dialética do Esclarecimento (1947) e textos publicados na revista do instituto ( Zeitschrift), Adorno editou várias outras obras. A fase final de estudos, dentro do agravamento niilista de seu pessimismo, retoma a questão estética e algumas avaliações genéricas sobre o Estado, sem estudo aprofundado da teoria geral das nações. A Personalidade Autoritária (1950) e Dialética Negativa (1966) são as duas obras mais importantes do pós-guerra. A formulação teórica do movimento estudantil dos anos 60 se inspirou em parte nestas duas publicações. Mínima Moralia (1951) apresenta uma evolução do pensamento crítico e Teoria Estética (1970) refaz o percurso das idéias expostas na teoria crítica.

7. Conclusão


Segundo Adorno, a indústria cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Dentro deste prisma, a idéia dos frankfurtianos merece respeito pelo pioneirismo em abrir os olhos da humanidade para este novo fenômeno de mercado. Para eles, na indústria cultural, tudo se torna produto. Enquanto negócio, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais.
Um exemplo disso, dirá Adorno, é o cinema. O que antes poderia ser mecanismo de lazer, ou seja, uma arte, agora se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, segundo a visão dos teóricos alemães, podemos dizer que a indústria cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel específico. Ou seja: o de portador da ideologia dominante, a qual outorga sentido a todo o sistema.
Na Teoria Estética, obra que tentará explanar pensamentos sobre a salvação do homem, Adorno dirá que não adianta combater o mal com o próprio mal. Exemplo disso ocorreu no nazismo e em outras guerras (FREITAG). Segundo ele, a antítese mais viável da sociedade selvagem é a arte. A arte é que liberta o homem das amarras dos sistemas e o coloca como um ser autônomo e, portanto, um ser humano. Enquanto para a indústria cultural o homem é mero objeto de trabalho e consumo, na arte é um ser livre para pensar, sentir e agir. A arte é como se fosse algo perfeito diante da realidade imperfeita, cuja estratégia se revela no assassinato, na corrupção e paranóia consumista.
Logo, existe uma evolução no pensamento de Adorno. Ele não reconhece a generalização imperfeita de sua proposição para o conceito da indústria cultural. Antes disso, retoma uma teoria bastante coerente para a importância da arte e estética. Em todo caso, a análise pioneira da indústria cultural desperta os demais ramos de estudos da comunicação para encontrarem mecanismos de pesquisa que comprovem ou rejeitem a proposta de Adorno e Horkheimer.
Acreditar que o cinema seja totalmente totalizante é um equívoco preconceituoso, na medida em que autores como F. W Murnau, também alemão, realizava - duas décadas antes da proposição do conceito de indústria cultural - verdadeiras obras primas reflexivas e poéticas, caso de Nosferatu, (1922), Aurora (1927) e A Última Gargalhada (1924).


8. Bibliografia

BUCK-MORSS, S. Origen de la dialéctica negativa: Theodor W. Adorno, Walter Benjamin y el Instituto de Frankfurt. México: Sigloc Ventiuno, 1981
FREITAG, BARBARA, Teoria Crítica: Ontem e Hoje. São Paulo: Brasiliense, 1986
HORKHEIMER, M., e ADORNO, T. W., Dialética do Esclarecimento: Fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997
HORTA Luis, Dicionário de Música. Rio de Janeiro. Zahar. 1980
MERQUIOR, José Guilherme. Arte e sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1969
SLATER, Phil. Origem e Significado da Escola de Frankfurt. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1978
PUCCI, B.; OLIVEIRA, N.R.; ZUIN, A.A.S. Adorno: o poder educativo do pensamento crítico. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 2003
THOMPSON, John B. A Mídia e a Modernidade: uma teoria social da mídia - Petrópolis, RJ : Vozes, 1998.
JAY, M. As idéias de Adorno. São Paulo: Cultrix, 1988
WIGGERHAUS, Rolf. A Escola de Frankfurt, História, desenvolvimento Teórico, significado político Editora Difel, 2001.
WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 2005


[1] Outros pensadores menos famosos da mesma época, caso da alemã Elizabeth Noelle Newman (1916), apresentaram contribuições mais específicas para estudos dos meios de comunicação, caso da Teoria da Espiral do Silêncio. Aos 19 anos, Newmann se envolveu na defesa do nazismo, mas abandonou tal partidarismo com o fim da Segunda Guerra Mundial. É doutora em jornalismo e colunista do Frankfurter Allgemeine Zeitung
[2] O ensaio de Walter Benjamin a partir das características do cinema será ainda hoje a nota dissonante em desagravo ao que se chama de dialética negativa adorniana. O texto não execra a cultura de massas, como o faz Adorno, mas procura encontrar possibilidades interpretativas benéficas do fenômeno protagonizado pela indústria cultural.

29 de junho de 2008

Indústria Cultural


1. O presente artigo prentende mostrar de forma bastante resumida a história dos principais pontos da Escola de Frankfurt.
2. Histórico da Escola de Frankfurt e o conceito de Indústria Cultural.
3. Frankfurtiano interessante.


Os nomes dos filósofos que mais se destacam da Escola de Frankfurt são Marx Horkheimer (1895-1973), Theodor W. Adorno (1903-1969), Walter Benjamin (1892-1940), Jürgen Habermas (1929), Hebert Marcuse (1898-1979) e Erich Fromm (1900-1980). Esses intelectuais desenvolveram estudos a partir de uma orientação abertamente marxista e as idéias dessa corrente de pensamentos encontram-se na Revista de Pesquisa Social, um dos documentos mais importantes que divulgavam opiniões sobre a alma européia no século XX. Seus colaboradores traziam reflexões críticas sobre a economia, política e a cultura da sociedade de seu tempo.
Em 1924, Marx Horkheimer e o economista Friedrich Pollock fundam o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt. Seis anos depois, Horkheimer assume a direção do Instituto. “O Instituto engaja-se na crítica da prática política dos dois partidos operários alemães (comunista e social-democrata), cuja ótica “economista” é atacada. O método marxista de interpretação da historia e modificada por ferramentas emprestadas à filosofia da cultura, à ética, à psicossociologia e à “psicologia do profundo”. O projeto consiste em fazer a junção entre Marx e Freud” (Mattelart, 1999).
Os estudos filosóficos dos frankfurtianos ficaram conhecidos como Teoria Critica (Européia). Ou seja, eles não queriam só constatar em números e dados – como faziam as Teorias Americanas (Administrativas) – mas sim criticar e ferir a cultura de massa ou a natureza industrial das informações localizadas em obras como filmes e músicas.
Adorno e Horkheimer compartilham sentimentos negativos sobre esses veículos de comunicação de massa e afirmam que “A necessidade de se limitar a dados seguros e certos, a tendência a desacreditar toda a pesquisa sobre a essência de fenômenos como ‘metafísica’, corre o risco de obrigar a pesquisa social empírica a se restringir ao não-essencial, em nome do que não pode constituir objeto de controvérsia. Com excessiva freqüência, a pesquisa se vê impondo seus objetos pelos métodos de que dispõe, quando seria preciso adaptar os métodos ao objeto” (Horkheimer, 1972).
Esses pensadores acreditam que os meios de comunicação de massa abortaram os ideais iluministas do século XVIII. Ou seja, o objetivo do Iluminismo foi de trazer avanço da razão, da tecnologia e a libertação do homem de suas crenças mitológicas e supersticiosas. Isso deveria trazer somente resultados bons como uma sociedade livre e igualitária. No entanto, o Aufklaurung (Iluminismo) foi dilacerado ao meio. Isto é, quando os frankfurtianos judeus se depararam com as campanhas nazistas e com as vendas ideológicas ocorridas pelos meios de comunicação, eles passaram a utilizar o nazismo como uma das provas de que a racionalidade técnica estava escravizando o homem da sociedade moderna em vez de libertá-lo.
Os intelectuais ressaltam ainda que as ciências e as tecnologias impedem a conscientização da vida desigual que os indivíduos se encontram. Ou seja, em vez de um trabalhador ler um bom livro, ir ao teatro e se nutrir de cultura, ele prefere sentar-se à frente da televisão e se “desligar” do estresse diário. É assim que a indústria cultural controla seus “fantoches alienados”.
O conceito de indústria cultural foi aplicado pela primeira vez em 1947. Esse termo foi usado em um texto clássico, Dialética do Esclarecimento, obra criada por Adorno e Horkheimer. Eles definem a indústria cultural como um sistema político e econômico. A finalidade desse sistema é de produzir bens culturais – filmes, músicas, livros e programas de televisão – como se fossem meras mercadorias. Armand Mattelart, em seu livro História das Teorias da Comunicação, também concorda com o conceito criado por Adorno e Horkheimer “A indústria cultural fixa de maneira exemplar a derrocada da cultura, sua queda na mercadoria. A transformação do ato cultural em valor suprime sua função crítica e nele dissolve os traços de uma experiência autêntica. A produção industrial sela a degradação do papel filosófico-existencial da cultura” (Mattelart, 1999).
Depois da Segunda Guerra Mundial, Adorno e Horkheimer voltam à Alemanha. O Instituto se reorganiza em 1950. Porém, esses dois intelectuais seguem caminhos bem diferentes. Isto é, as críticas de Adorno se tornam extremamente radicais. Ele desenvolve um estudo, que ficou conhecido como Dialética Negativa. Essa pesquisa analisa esteticamente a cultura e a arte. Por fim, Horkheimer caminha pelo estudo do estado e passa a interpretar questões a partir de uma ótica religiosa.


Frankfurtiano interessante

Foto: Walter Benjamin

Os frankfurtianos foram os primeiros pensadores que detectaram os efeitos e as conseqüências nocivas da mídia na formação crítica e cultural de uma sociedade. No entanto, com a tomada de Hitler no poder, em 1940, esses grupos de intelectuais judeus tiveram que sair da Alemanha e se exilarem nos Estados Unidos. Porém, um dos membros do grupo, que trazia no rosto traços de imensa tristeza e melancolia, não suportou fugir da temível corporação nazista, conhecida como Gestapo, e decidiu se matar.
O intelectual em questão era Walter Benjamin, um dos principais pensadores originais da Escola de Frankfurt. Após sua morte, aos 48 anos, vários amigos do pensador deixaram depoimentos sobre sua personalidade e obra. Adorno dizia que Benjamin era a figura mais misteriosa do grupo e seus interesses eram freqüentemente contraditórios. Outro amigo de Benjamin, Gerschom Scholem, relatou que após um ano do começo da Primeira Guerra Mundial, em 1915, seu companheiro já estampava sentimentos de profunda melancolia. Durante todo seu exílio parisiense, o intelectual produziu uma imensa obra inacabada de filosofia da história, cujo título era O Livro das Passagens, Paris, Capital do Século XIX.

Larissa Araújo.®

25 de maio de 2008

1984 de George Orwell


Fonte
www.nonaarte.com.br


Saiba mais:

Autor: George Orwell
Nascido: Eric Arthur Blair
Nascimento: 25.06.1903 - Motihari - Índia
Morte: 21.01.1950 - Londres - Inglaterra

George Orwell foi um dos escritores mais influentes do século XX. Autor de 1984, A Revolução dos Bichos (O Triunfo dos Porcos), Lutando na Espanha e outros importantes livros do século passado, Eric Arthur Blair (seu nome verdadeiro) descreveu em livro todas as suas vivências como guarda na Birmânia ou como professor (A Filha do Reverendo). Sua obra-prima é a distopia (utopia negativa) de 1984, onde Orwell previu um mundo controlado através da tecnologia, onde a novilíngua e o duplipensar estariam presentes.

Fonte: http://www.duplipensar.net/george-orwell/index.html

O valor da notícia

Jornal Folha de S. Paulo, domingo, 27 de maio de 2007.

A imprensa de qualidade desempenha um papel de liderança: rádio e TVs dependem de temas e contribuições provenientes do jornalismo "argumentativo"

JÜRGEN HABERMAS

Semanas atrás, a página de economia do jornal alemão "Die Zeit" assustou seus leitores com a manchete "O quarto poder corre perigo?". Tratava-se da notícia alarmante de que o "Süddeutsche Zeitung" rumava para um futuro econômico de incertezas.
A maioria dos acionistas quer se ver livre do jornal; caso as coisas se encaminhem para um leilão, é possível que um dos dois bons diários supra-regionais da Alemanha [o outro é o "Frankfurter Allgemeine"] caia nas mãos de investidores privados, fundos de investimento ou conglomerados de mídia.
Haverá quem diga: "Business as usual" [negócios, como sempre]. O que poderia haver de alarmante no fato de que os proprietários queiram fazer uso de seu direito de se desfazer de seus negócios, sejam quais forem seus motivos?
A crise dos jornais, desencadeada no começo de 2002 pelo colapso do mercado publicitário, ficou para trás -no "Süddeutsche Zeitung" e em outros órgãos de imprensa da mesma dimensão. As famílias que agora se dispõem a vender sua participação detêm 62,5% das ações e escolheram um momento propício.
Apesar da concorrência digital e dos novos hábitos de leitura, os lucros vêm aumentando.
Deixando de lado a boa conjuntura econômica, os lucros se devem sobretudo a medidas de racionalização com impacto direto sobre o desempenho e a margem de manobra das redações. Notícias bombásticas à maneira do jornalismo norte-americano ditam a tendência atual.
Assim, por exemplo, o "Boston Globe", um dos poucos jornais de centro-esquerda dos EUA, teve que renunciar a todos os seus correspondentes no estrangeiro, enquanto os grandes encouraçados da imprensa nacional -como o "Washington Post" e o "New York Times"- temem a capitulação diante de fundos ou conglomerados ávidos por "sanear" jornais em vista de taxas de lucro descabidas; no caso do "Los Angeles Times", esse já é fato consumado.

Jugo do lucro
Há três semanas, o "Die Zeit" voltou à carga, falando de um "ataque de Wall Street à imprensa dos EUA".
O que há por trás desse tipo de manchete? Certamente, o temor de que os mercados não façam justiça à dupla função que a imprensa de qualidade até hoje desempenhou: atender à demanda por informação e formação, sem comprometer taxas de lucro aceitáveis.
Mas os lucros em alta não serão uma confirmação de que jornais "enxutos" satisfazem melhor os desejos de seus consumidores?
Conceitos vagos como "profissional", "arrojado" ou "sério" não servem apenas para velar a preeminência concedida ao leitor adulto, que sabe o que quer?
A imprensa terá o direito de, sob o pretexto da "qualidade", cercear a liberdade de escolha de seus leitores?
Por que forçar a leitura de reportagens áridas em vez de "infotainment" [fusão, em inglês, das palavras "information" e "entertainment", informação e entretenimento], comentários objetivos e argumentos circunstanciados, ao invés de encenações apelativas de personalidades e acontecimentos?
A objeção que se manifesta nessas questões se baseia na suposição polêmica de que os consumidores escolhem com autonomia, segundo suas preferências pessoais. Mas essa espécie de verdade acaciana certamente induz ao erro quando se trata de uma mercadoria tão peculiar quanto a informação política e cultural. Pois essa mercadoria a um só tempo atende e transforma as preferências de seus consumidores.

Formação em massa
Não há dúvida de que leitores, ouvintes e espectadores seguem suas preferências ao fazer uso dos meios de comunicação: querem se divertir ou se distrair, querem se informar ou tomar parte em debates públicos.
Mas, quando se interessam por um programa político ou cultural, quando recebem a "bênção matinal realista" da leitura de jornais, todos se expõem -com alguma medida de autopaternalismo- a um processo de aprendizado de resultados imprevisíveis.
No curso de uma leitura, novas preferências, convicções ou juízos podem se formar.
A metapreferência que orienta uma tal leitura se dirige então àquelas prioridades que se exprimem na auto-imagem de um jornalismo independente e que fundamentam o prestígio da imprensa de qualidade.
A polêmica sobre o caráter peculiar da mercadoria "informação e formação" faz pensar no slogan que fez furor quando do surgimento da televisão: essa nova mídia não seria mais que "uma torradeira com imagens".
Pensava-se que a produção e o consumo de programas televisivos podiam ser deixados inteiramente a cargo do mercado. Desde então, as empresas de comunicação cuidam de fornecer programas para seus espectadores enquanto vendem a atenção do público a seus anunciantes.
Sempre que imperou sem peias, esse modo de organização causou danos políticos e culturais. O sistema "híbrido" de televisão [na Alemanha] é uma tentativa de remediar o mal.
E as leis locais, as decisões de tribunais federais e os princípios de programação das emissoras públicas refletem a noção de que as mídias eletrônicas não devem satisfazer apenas as necessidades mais comercializáveis dos consumidores.
Ouvintes e espectadores não são apenas consumidores mas também cidadãos com direito à participação cultural, à observação da vida política e à voz na formação de opinião.
Com base nesses direitos, não é o caso de deixar programas voltados a tais necessidades fundamentais da população à mercê da conveniência publicitária ou do apoio de patrocinadores.
Mais ainda, as taxas que financiam esses serviços também não devem variar ao sabor dos orçamentos locais, isto é, da conjuntura econômica -é o que argumentam algumas emissoras num processo contra os governos locais, em trâmite no Supremo Tribunal Federal alemão.
A idéia de uma reserva pública voltada para a mídia eletrônica pode ser interessante.
Mas algo assim poderia servir de modelo para a organização de jornais e revistas "sérios", como o "Süddeutsche Zeitung" ou o "Frankfurter Allgemeine Zeitung", "Die Zeit" ou "Der Spiegel", para não falar das revistas mensais mais ambiciosas?

Efeito político
O resultado de um estudo sobre fluxos de comunicação pode ter interesse nesse contexto: ao menos no âmbito da comunicação política -ou seja, para o leitor enquanto cidadão-, a imprensa de qualidade desempenha um papel de "liderança": o noticiário político do rádio e da televisão depende em larga escala dos temas e das contribuições provenientes do jornalismo "argumentativo".
Suponhamos que uma dessas redações caia nas mãos de investidores que trabalham com lucros rápidos e prazos curtos: a reestruturação e o enxugamento nesses lugares estratégicos não tardarão a pôr em risco os padrões jornalísticos e a afetar em cheio a vida política.
Pois a comunicação pública perde vitalidade discursiva quando lhe falta informação fundamentada ou discussão vivaz, coisas que não se obtêm sem custos.
A esfera pública não teria mais como opor resistência às tendências populistas e não seria mais capaz de desempenhar funções que lhe cabem no quadro de um Estado democrático de Direito.
Vivemos em sociedades pluralistas. O processo de decisão democrático só pode ultrapassar as cisões profundas entre visões de mundo opostas se houver algum vínculo legitimador aos olhos de todos os cidadãos.
O processo de decisão deve conjugar inclusão (isto é, a participação universal em pé de igualdade) e condução discursiva do conflito de opiniões.
Pois tão-somente a discussão deliberativa fundamenta a suposição de que, no longo prazo, os processos democráticos propiciam resultados mais ou menos racionais.
A formação de opinião por via democrática tem uma dimensão epistêmica, uma vez que envolve a crítica de afirmações e juízos errôneos.
Esse é o papel de uma esfera pública dotada de vitalidade discursiva.
Esse papel se evidencia intuitivamente tão logo se tenha em mente a diferença entre o conflito público de opiniões concorrentes e a divulgação de pesquisas de opinião.
Opiniões que se formam por meio de discussão e polêmica são, a despeito de toda dissonância, filtradas por informações e argumentos, enquanto as pesquisas de opinião apenas invocam opiniões latentes em estado bruto ou inerte.

Mediação
É claro que os fluxos díspares de comunicação numa esfera pública dominada pelos meios de comunicação de massa não permitem o tipo de discussão ou consulta regrada que tem lugar em tribunais ou sessões parlamentares.
Mas isso também não é necessário, pois a esfera pública é apenas um dos elos relevantes: ela faz as vezes de mediação entre discursos e discussões nos foros do Estado, de um lado, e as conversas episódicas ou informais de eleitores potenciais, de outro.
A esfera pública dá sua contribuição à legitimação democrática da ação estatal ao selecionar temas de relevância política, elabora-os polemicamente e os vincula a correntes de opinião divergentes.
Por essa via, a comunicação pública estimula e orienta a formação da opinião e do voto, ao mesmo tempo em que exige transparência e prontidão do sistema político.
Sem o impulso de uma imprensa voltada à formação de opinião, capaz de fornecer informação confiável e comentário preciso, a esfera pública não tem como produzir essa energia.
Quando se trata de gás, eletricidade ou água, o Estado tem a obrigação de prover as necessidades energéticas da população.
Por que não seria igualmente obrigado a prover essa outra espécie de "energia", sem a qual o próprio Estado democrático pode acabar avariado?
O Estado não comete nenhuma "falha sistêmica" quando intervém em casos específicos para tentar preservar esse bem público que é a imprensa de qualidade.

Melhores resultados
O problema é apenas de ordem pragmática: como se alcançam os melhores resultados?
Em certo momento, o governo [do Estado] de Hessen concedeu ao jornal "Frankfurter Rundschau" um crédito subsidiado -sem sucesso. Mas as subvenções diretas são apenas um dos meios disponíveis.
Outros caminhos são as fundações com participação pública ou a renúncia fiscal para famílias envolvidas no ramo.
Nenhuma dessas soluções está livre de problemas. E ainda é preciso aclimatar a idéia de subvenções a jornais e revistas.
Em termos históricos, a idéia de regular o mercado da imprensa tem alguma coisa de contra-intuitivo. Afinal, o mercado foi outrora o cenário em que idéias subversivas puderam se emancipar da repressão estatal.
Mas o mercado só é capaz de desempenhar essa função se as determinações econômicas não penetrarem nos poros dos conteúdos culturais e políticos dispersos no mercado.
Agora, como antes, a crítica adorniana da indústria cultural constitui o ponto central. A observação cética é indispensável, pois nenhuma democracia pode se dar ao luxo de uma falha de mercado nesse setor.

JÜRGEN HABERMAS (1929) é um dos principais filósofos e sociólogos vivos. Colaborou entre 1955 e 1959 com Adorno e Horkheimer no Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt, e lecionou nas universidades de Heidelberg e de Frankfurt. Entre suas obras de maior impacto traduzidas para o português estão "Mudança Estrutural na Esfera Pública", "Direito e Democracia" e "Consciência Moral e Agir Comunicativo" (Tempo Brasileiro). Este texto foi publicado originalmente no jornal alemão "Süddeutsche Zeitung". Tradução de Samuel Titan Jr.

18 de maio de 2008

A Guerra dos Mundos de H.G Wells


Fonte
www.nonaarte.com.br

Nervos à flor da pele



Fonte
www.nonaarte.com.br

17 de maio de 2008

Morre o precursor da "aldeia global”


Essa matéria foi extraída do Jornal do Brasil e acrescentada no blog do jornalista Ricardo Noblat, em 31 de dezembro de 2007. Porém, o precursor da aldeia global Hebert Marshall Mcluhan – um dos principais teóricos dos meios de comunicação e dos estudos midiológicos – morreu em 31 de dezembro de 1980. Isto é, há 27 anos.
No entanto, vários leitores ficaram confusos com essa informação. É importante ressaltar, principalmente para os futuros jornalistas, que vivemos numa era digital e os receptores modernos ganham outro nome: imersivos, como nos ensina Lúcia Santaella em seu livro "Navegar no Ciberespaço: o Perfil Cognitivo do Leitor Imersivo". Ou seja, para esses leitores a absorção de informações são complexas e, ao mesmo tempo, superficiais.
Para identificar a raiz do equívoco informado por Noblat foi preciso acessar mais de quatro sites e, só depois de vários minutos, percebi que o jornalista buscou essa matéria no site de “arquivo morto” no Jornal do Brasil.
Vale lembrar que o acúmulo de informações traz várias conseqüências. Ou seja, a notícia deixa de ter função e passa a narcotizar em vez de estimular os receptores. Esses conceitos recebem o nome de “disfunção narcotizante” – teoria concebida pelos sociólogos americanos Merton e Lazarsfeld.
Então, quando o indivíduo é bombardeado pelos meios de comunicação eles se livram do trabalho de pensar sobre o que vai fazer com o excesso de notícias. A partir de tal problemática surge à narcotização da consciência.
Assim, Ricardo Noblat publicou diversas notícias em 31 de dezembro de 2007. E para os leitores que não se deram ao trabalho de pesquisar ou até mesmo duvidar dessa informação, o célebre teórico Herbert Marshall Mcluhan morreu ano passado.

Site de "arquivo morto" do Jornal do Brasil:

http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?blogid=57&archive=2007-12

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2007/12/31/pais20071231013.html

Blog do Noblat:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/default.asp?a=111&periodo=200712

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=morre_precursor_da_aldeia_global&cod_Post=85405&a=111

Larissa Araújo.®

12 de maio de 2008

Trocando em miúdos


A Escola de Chicago é lembrada pelos seus estudos empíricos e por suas pesquisas direcionadas para a cidade de Chicago. Essa cidade americana cresceu rapidamente e a maioria da população era das mais diferentes nacionalidades, ou seja, imigrantes.
No século XX, a cidade de Chicago experimentava vários tipos de desenvolvimentos como a modernização das indústrias, as greves operárias e as evoluções artísticas culturais. Por isso que a sociologia de Chicago foi uma sociologia urbana. Sua ferramenta científica buscava a solução dos grandes desequilíbrios sociais e, principalmente, a identificação do estrangeiro na sociedade americana.

Larissa Araújo.®

6 de maio de 2008

“A notícia como forma de conhecimento”


A frase acima é discutida ainda nos dias de hoje, pois através da notícia e, indispensavelmente, do jornalismo – como forma de contar, narrar e conhecer os fatos – o indivíduo se situa no mundo.
Desde 1940 o assunto tem sido estudado – principalmente pelo jornalista e sociólogo Robert Ezra Park. Antes de chegar ao conceito notícia como forma de conhecimento, Park atuou como jornalista, durante onze anos, em bairros pobres da periferia. Especializou-se em casos da vida real como a marginalidade, imigração, perda dos elementos culturais (aculturação), delinqüência e corrupção.
No ano de 1898 ele abandonou os métodos jornalísticos e ingressa em Harvard para “compreender a natureza e a função de um tipo de conhecimento que chamamos notícia” (Park, 1950).
Park completa seus estudos na Alemanha, dando início a sua formação em Sociologia na Universidade de Heilderberg, em Berlim, e segue os ensinamentos de Georg Simmel, que questiona o “estado de espírito” da cidade, além de observar o psicológico da personalidade urbana, intensificação do estímulo nervoso, mobilidade e locomoção (Simmel, 1903).
A realidade, para Park, é vista como um processo construtivo que dá mobilidade e movimento a esse terreno chamado de “laboratório social”. Segundo ele, esse laboratório seria a cidade com seus signos de desorganização e de marginalidade – características principais estudadas pela Escola de Chicago. (Mattelart, 1999)
Entre 1915 e 1935, Park se pergunta sobre a relação entre os jornais e a integração dos imigrantes na sociedade americana. Ou seja, a partir dessas comunidades étnicas é que Park vê a função dos jornais e, principalmente, das diversas publicações em línguas estrangeiras. A ética do jornalismo e a diferença entre a notícia e a propaganda social (Park, 1922).
Em 1921, Park e o pesquisador E. W. Burgers dão nome a essa problemática como “a ecologia humana”, ou seja, a relação do homem com sua casa – teoria inventada, em 1859, pelo biólogo alemão Ernest Haeckel.
Então, os pesquisadores Park e Burges buscam relacionar e compreender as inúmeras contribuições ecológica vegetal e animal como o estudo das comunidades humanas.
Aos 39 anos, Park defendeu sua tese de doutorado na Alemanha. "A massa e o público" foi o tema do seu estudo. O pesquisador era a figura que mais se destacava na Escola de Chicago, sendo considerado um dos pioneiros dos estudos da comunicação em massa. Neste mesmo ano, ele voltou aos Estados Unidos e trabalhou como assistente do psicólogo William James. Aproveitando a oportunidade, ele toma emprestado dois pensamentos essenciais que podem ser aplicados nos estudos das notícias. Neste contexto existem duas formas de conhecimento: o "conhecimento de" e o "conhecimento acerca de".
O "conhecimento de" seria o que entendemos por senso comum. Ou seja, é a primeira compreensão do mundo resultante de uma herança deixada por um grupo. Essa compreensão pode ser resumida nos hábitos, costumes, tradições e culturas da humanidade. Para Park, o "conhecimento de" é uma espécie de conhecimento intuitivo "que inevitavelmente adquirimos no curso de nossos encontros pessoais e de primeira mão com o mundo que nos rodeia" (PARK, p.169, 1979). E ele continua afirmando:

"Tal conhecimento, com efeito, pode ser concebido como forma de ajustamento orgânico ou adaptação, que representa a acumulação e, por assim dizer, a fusão de uma longa série de experiências. É essa espécie de conhecimento pessoal e individual que faz cada um de nós sentir-se à vontade no mundo que escolheu viver (...) Um conhecimento que se incorpora no hábito, no costume e, por fim, por algum processo de seleção natural, que não compreendemos plenamente no instinto; uma espécie de memória ou hábito social" (PARK, p.169, 1979).

Já o "conhecimento acerca de" é o conhecimento racional, em que existe um esforço de separar o sujeito do objeto. Pode ser considerado também como um saber científico, onde o conhecimento baseia-se na observação e no fato, sendo ele verificado, rotulado, sistematizado e, finalmente, ordenado nesta ou naquela perspectiva, segundo o propósito do pesquisador (PARK, p.171, 1979). Ou, por assim dizer, seria também a construção da notícia. A partir desta análise, o autor situa a notícia e a define pelo interesse público, diferente das formas de comunicações indutivas ou persuasivas, que são semelhantes às formas intuitivas. Isto é, para ele, a partir da notícia que surge a opinião pública.


"A primeira reação típica do indivíduo a uma notícia será, provavelmente, o desejo de repeti-la a alguém. Isso gera a conversação, desperta novos comentários e talvez uma discussão. Mas o que há nesse fato de singular é que, iniciada a discussão, o acontecimento discutido deixa de ser notícia e, sendo diferentes as interpretações de um acontecimento, as discussões se transferem do plano da notícia para o dos problemas que ela suscita. O choque de opiniões e pareceres, que a discussão invariavelmente evoca, termina, via de regra, numa espécie qualquer de consenso ou opinião coletiva - que nós denominamos opinião pública. É na interpretação dos acontecimentos presentes, ou seja, da notícia, que se funda a opinião pública".(STEINBERG, p.176, 1966).

Em 1905, Park participa do projeto Tuskegeem, em Washington. Esse projeto tinha objetivos de fortalecer as comunidades negras do Alabama. O pesquisador além de ser repórter de grandes investigações jornalísticas, ainda tinha energia para lutar pela causa negra e se contrapor a exploração das tropas belgas de Leopoldo II.
Somente com 49 anos, em 1912, Park ingressa na Escola de Chicago. Se torna coordenador do curso de doutorado do departamento de Sociologia da escola e assume a presidência da Sociedade Americana de Sociologia.
Já aposentado, Park sai da Escola de Chicago e, no final de sua carreira, ingressa na Universidade Fisk, em Nashiville, onde publica vários artigos sobre a questão dos negros que conquistaram a liberdade após a escravidão. O pesquisador morre em 7 de fevereiro de 1944.


Larissa Araújo.®


Blibliografia

PARK, Robert. "A notícia como forma de conhecimento". In: Steinberg - Meios de comunicação de massa. São Paulo, Cultix, 1976.
STEINBERG, Charles S. (Org.). Meios de Comunicação de Massa. São Paulo: Cultrix, 1966.
MATTELART, Armand e Michèle. História das teorias da comunicação. São Paulo, 1999.

24 de abril de 2008

O bicho de sete cabeças


Para a maioria dos estudantes de Jornalismo, a Teoria da Comunicação é a matéria mais complicada, difícil e quase impossível de ser compreendida. No entanto, o estudo do fenômeno da Comunicação Social é de grande importância também nos tempos atuais. Ou seja, através do crescente desenvolvimento e a popularização das tecnologias midiáticas, vários pesquisadores e teóricos se viram obrigados a entender os efeitos da mídia na sociedade.
Este blog conduzirá o leitor ao entendimento desses e muitos outros assuntos relacionados ao jornalismo e a comunicação em geral. Isto é, esse esclarecimento será por meio de diversas discussões, artigos, ideias e trabalhos acadêmicos.

Larissa Araújo.®